segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

"Sameiro a minha terra"


A minha terra, fica lá longe e no alto.
Perto do Céu.
A estrela é o seu colo
Vê-se adormecer nela todas as noites.
A carqueja, o rosmaninho, o alecrim e as papoilas
fazem tapetes, a cobrir as encostas, quase tocando
o infinito.
Tem guardiões de peso:
Dum lado os fragais dos moiros,
alem a samela e aquela banda.
Doutro lado a cabeça da azinha.
Guardam e deixam fugir
o ribeiro do urso, que saltando fragas
sorrateiro apanha o ribeiro do vale,
que por sua vez corre fugindo para longe.
No inverno outrora,
nas noites longas ,as cozinhas quentes
pelas famílias, eram adornadas com um copito,
queijo, morcela ou farinheiro assados
nas brasas, feitas pela lenha trazida do vale
pelo burrito, ajudante da casa.
A carqueja, a castanha e a feijoca ,
eram riquezas dos Sameirenses.
Mas o melhor tesouro, que até hoje nos chegou
vindo de outrora como presente divino:
é o cheiro a rosmaninho.
E é cá longe quando o vento é norte
que a Omnipotência traz por caridade
uma doce brisa de madrugada
desse aroma tão intenso, que apesar
de distante qualquer Sameirense reconhece.

MOURA DUARTE

2 comentários:

Luisa Relvado disse...

Está magnifico o poema "Sameiro a minha terra" aldeia que tenho o prazer de conhecer, tal como conheço a autora desse poema...Parabéns e continuem a divulgar essa linda aldeia serrana. Com amizade.

Luísa Relvado

Anónimo disse...

Olá! amigos portugueses!,belo poema,me tráz otimas reordações! José gomes filho,natal brasil