Municípios abastecidos pela Águas de Zêzere e Côa (AZC) ponderam denunciar judicialmente os contratos estabelecidos com aquela empresa, disse à agência Lusa Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão.
Esta intenção foi confirmada à Lusa pelos autarcas de Oliveira do Hospital, Carlos Alexandrino, e Pinhel, António Ruas.
Na base desta intenção estão os aumentos decididos pela AZC, e que, segundo os autarcas, nos últimos dois anos chegaram aos 25 por cento.
Para Carlos Alexandrino “esta é uma situação insustentável” e que levará “a breve prazo à ruína das finanças do município”.
Segundo este autarca, o município de Oliveira do Hospital está a comprar a água a 66 cêntimos à AZC e a vendê-la aos munícipes a 53 cêntimos, o que, “se forem acrescentadas as perdas pela evaporação e falhas na rede (estimadas em 50 por cento), dá um preço de cerca de um euro e vinte por metro cúbico”.
Os autarcas alegam que os preços agora praticados estavam previstos no contrato para serem aplicados apenas em 2027.
“Estamos neste momento a pagar a água mais cara do pais”, afirmou Carlos Alexandrino, para quem não é possível, “no actual contexto, aumentar mais o preço aos consumidores”.
Os municípios abastecidos pela AZC reclamam o estabelecimento de um preço médio a nível nacional, por forma a que os municípios do interior, menos populosos e com maiores custos de abastecimento, não sejam prejudicados relativamente aos do litoral, onde é mais barato o fornecimento de água.
Os autarcas são unânimes em reconhecer que esta é uma questão politica que só pode ser resolvida pela tutela, o Ministério do Ambiente, opinião partilhada pelo presidente da AZC, João Pedro Rodrigues.
Para este responsável, “só o governo, em conjunto com os partidos da oposição, pode resolver este problema, legislando no sentido de se estabelecer um preço único” para todo o território continental.
“No actual contexto financeiro da AZC, temos de aumentar os preços, para amortizar os investimentos já feitos”, afirmou o presidente da empresa subsidiária da Águas de Portugal (AP), defendendo que “só um nivelamento dos preços estabelecerá alguma justiça”.
Entretanto, o presidente da Câmara do Fundão, Manuel Frexes, considera que “a AZC não tem viabilidade económica e devia encerrar”.
Para o autarca do Fundão, a AZC “acumulou um passivo que a torna inviável” e vê como solução “incorporar o passivo na empresa mãe – Águas de Portugal - e proceder à consolidação das contas”.
O presidente da empresa AZC admite um passivo de 160 milhões de euros, mas não concorda que a empresa seja inviável. “Apesar de tudo, a maioria dos autarcas está contente com o trabalho da AZC e não pretende que ela acabe”, afirmou.
João Pedro Rodrigues reconhece as dificuldades dos municípios, mas adianta que “mesmo se houvesse um preço único para a água os problemas da empresa mantinham-se, pois existem municípios com grandes dívidas à empresa e outros que ainda não cobram tarifas de saneamento”.
A AZC fornece serviços aos municípios de Aguiar da Beira, Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Guarda, Manteigas, Mêda, Oliveira do Hospital, Penamacor, Pinhel, Sabugal e Seia.
Fonte: Terras da Beira
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